Fazer o trabalhador que concluiu os 6 módulos a distância demonstrar, na própria máquina que vai operar, que reconhece as zonas de perigo, confere proteções e parada de emergência, bloqueia com energia zero, opera, alimenta, limpa e reage a situações anormais com segurança — com instrutor designado, supervisão do profissional legalmente habilitado e registro em ficha individual assinada.
A teoria (6 módulos, 12 horas) ensina o que fazer; a etapa prática mostra, na máquina real, que o trabalhador sabe fazer. Este roteiro garante que toda empresa aplique a prática com o mesmo programa, os mesmos critérios e o mesmo registro, e que o trabalhador saiba antes o que será cobrado.
A NR-12, no subitem 12.16.3, determina que a capacitação ocorra antes de o trabalhador assumir a função, sem ônus para ele, com carga horária definida pelo empregador que garanta a execução segura das atividades, com o conteúdo do Anexo II, ministrada por trabalhadores ou profissionais qualificados e sob supervisão de profissional legalmente habilitado. O Anexo II, item 1, exige as etapas teórica e prática e traz o conteúdo mínimo (alíneas a a i). O subitem 1.1.1, escrito para máquinas automotrizes ou autopropelidas, manda supervisionar e documentar a etapa prática; este roteiro adota a mesma regra para todas as máquinas. O subitem 12.16.5 exige manter a lista de presença ou o certificado e a avaliação dos capacitados à disposição da fiscalização.
As 4 horas (240 minutos) são o mínimo adotado por esta formação. Para a maioria das máquinas a NR-12 não fixa um número: exige carga suficiente. O empregador, com o profissional legalmente habilitado, amplia o tempo quando a máquina for mais complexa. Injetoras têm mínimo próprio na norma (seção 8).
| Alínea do Anexo II | Onde aparece na prática |
|---|---|
| a — riscos e proteções específicas | Zonas de perigo |
| b — funcionamento das proteções | Proteções e dispositivos; parada de emergência |
| c — remoção de proteção: como, quando, por quem | Proteções; limpeza e ajuste bloqueado |
| d — proteção danificada ou sem função | Situação anormal |
| e — princípios de segurança na utilização | Inspeção pré-operacional; operação assistida |
| f — riscos mecânicos, elétricos e outros | Zonas de perigo; bloqueio de energias |
| g — método de trabalho seguro | Operação; alimentação e retirada de peça |
| h — permissão de trabalho | Permissão, quando aplicável |
| i — bloqueio em inspeção, limpeza, lubrificação e manutenção | Bloqueio e etiquetagem; limpeza e ajuste |
A prática é individual: o instrutor acompanha um trabalhador de cada vez na máquina, e cada um executa e é avaliado sozinho, com a própria ficha. O instrutor não precisa ser engenheiro; precisa dominar aquela máquina. Um operador experiente, capacitado e autorizado nela costuma ser o melhor instrutor, desde que designado pela empresa e aceito pelo profissional legalmente habilitado.
| Papel | Quem é | O que faz | Assina? |
|---|---|---|---|
| Instrutor | Trabalhador ou profissional qualificado designado pelo empregador, capacitado e autorizado naquela máquina | Adapta o roteiro à máquina, demonstra, observa o trabalhador executar, interrompe se houver risco, marca os itens e dá a devolutiva | Sim, obrigatório |
| Profissional legalmente habilitado | Profissional com registro no conselho de classe competente, supervisor da capacitação (12.16.3) | Valida o roteiro adaptado e o instrutor, define o que é o mesmo tipo de máquina, revisa as fichas e responde pela avaliação | Sim: nome, registro no conselho e assinatura no campo de supervisão, depois de revisar a ficha |
| Trabalhador | Quem vai operar, com os 6 módulos concluídos | Executa cada item com as próprias mãos, pergunta e pode interromper diante de risco grave e iminente (NR-01, subitem 1.4.3) | Sim, obrigatório |
| Empregador | A empresa | Designa o instrutor, libera máquina e tempo sem ônus ao trabalhador, fornece EPI e material de bloqueio, guarda a ficha original e emite a autorização | Assina a autorização, não a ficha |
Se a máquina estiver sem proteção, com intertravamento burlado (ponte no circuito, ímã, chave reserva, fita) ou com a parada de emergência exigida inoperante, a prática NÃO acontece nela. Treinar em máquina irregular é ensinar o erro. O instrutor não liga a máquina, registra a condição no campo de observações da ficha, bloqueia e sinaliza conforme o procedimento da empresa, comunica à liderança e ao profissional legalmente habilitado e remarca a prática para depois da correção. Não se usa outra máquina parecida para completar a ficha.
Antes de o trabalhador chegar, o instrutor inspeciona a máquina, testa a parada de emergência e os intertravamentos conforme o procedimento do fabricante e confirma que os pontos de bloqueio do procedimento batem com a máquina real. Divergência entre o papel e a máquina é corrigida antes, não improvisada durante.
| Item | O que ter em mãos |
|---|---|
| Documentos | Manual; procedimento de operação; procedimento de bloqueio com os pontos de isolamento; ordem de serviço da função; checklist pré-operacional; formulário de permissão de trabalho, quando houver; ficha impressa pela plataforma |
| EPI do posto | O previsto no procedimento. Vestimenta sem partes soltas, cabelo preso, sem anel, relógio, pulseira ou corrente. Luva só onde o procedimento permite, nunca perto de parte girando |
| Material de bloqueio | Cadeado individual com chave única; etiqueta com nome, data, horário e motivo; garra para bloqueio em grupo; dispositivos adequados a cada ponto (seccionadora, válvula, registro) |
| Peças e ferramentas | Peças para os ciclos; meio de alimentação previsto (dispositivo, gabarito, empurrador, pinça); ferramentas de limpeza e ajuste do procedimento |
| Área | Isolada e sinalizada; produção da máquina suspensa durante a prática; piso limpo; boa iluminação; socorro da empresa identificado |
Intervalos não entram nos 240 minutos. A prática pode ser dividida em períodos, em dias próximos, mantendo a sequência e registrando data e horário de cada período. Em cada bloco o instrutor demonstra e o trabalhador executa sozinho, dizendo em voz alta o que faz e por quê — isso mostra se entendeu ou só imitou. Qualquer um dos dois pode mandar parar.
| Tempo | Atividade | O que o trabalhador faz | Critério de aprovação |
|---|---|---|---|
| 0h00–0h15 (15 min) | Abertura | Apresenta os certificados; confere os dados da máquina na ficha; veste o EPI; ouve as regras | Pré-requisitos confirmados; EPI e vestimenta adequados |
| 0h15–0h35 (20 min) | Identificação da máquina e zonas de perigo | Com a máquina bloqueada pelo instrutor, aponta cada zona de perigo, o perigo (esmagamento, corte, agarramento, arraste, projeção) e a proteção que atua ali; aponta riscos elétricos, térmicos e de ruído | Aponta todas as zonas da lista da máquina e associa a proteção correta |
| 0h35–1h00 (25 min) | Proteções e dispositivos | Distingue proteções fixas, móveis intertravadas e dispositivos (bimanual, cortina de luz, tapete, scanner, conforme a máquina); diz quem remove cada proteção, quando e como; testa, pelo manual e sem expor o corpo, que abrir a proteção móvel para o movimento e que fechá-la não religa sozinho; testa o dispositivo pelo manual, sem expor o corpo | Classifica e testa corretamente; afirma que proteção só sai por pessoa autorizada, com a máquina bloqueada |
| 1h00–1h15 (15 min) | Parada de emergência — ensaio | Seguindo o procedimento de ensaio do fabricante da máquina, e com a máquina funcionando sem peça quando esse procedimento permitir, aciona a parada; confirma a parada; tenta partir com o acionador travado; rearma e confirma que o rearme não dá partida sozinho; explica por que ela não é proteção e não substitui o bloqueio | Aciona sem hesitar; confirma as três condições; explica a diferença |
| 1h15–1h55 (40 min) | Bloqueio e etiquetagem com energia zero | Prepara, avisa, desliga pelo comando, isola cada fonte (elétrica, pneumática, hidráulica, mecânica), aplica o próprio cadeado e a etiqueta, dissipa a energia armazenada (alívio de pressão, calço de parte suspensa, espera de parte em inércia), testa energia zero tentando partir e conferindo indicadores de pressão; depois retira o bloqueio na ordem correta | Isola todas as fontes; cadeado e chave são dele; testa energia zero antes de qualquer entrada |
| 1h55–2h10 (15 min) | Inspeção pré-operacional | Preenche o checklist: proteções, intertravamentos, dispositivos, parada de emergência, vazamentos, ruído, área | Checklist verdadeiro; não libera a máquina com item reprovado |
| 2h10–2h40 (30 min) | Operação assistida | Dá partida pelo comando e executa ciclos completos pelo procedimento, com o instrutor ao lado; percebe ruído, vibração ou cheiro diferente; para pelo comando | Sem improviso; corpo fora da zona de perigo em todo o ciclo |
| 2h40–3h00 (20 min) | Alimentação e retirada de peça | Usa o meio previsto (dispositivo, gabarito, empurrador, pinça); se a peça cai ou fica mal posicionada, para antes de mexer | Nunca põe parte do corpo na zona de perigo com a máquina energizada |
| 3h00–3h20 (20 min) | Limpeza e ajuste com a máquina bloqueada | Faz uma limpeza ou ajuste de rotina do operador: bloqueia, testa energia zero, executa, recoloca as proteções, confere a área, retira o bloqueio e religa | Não começa sem bloqueio; recoloca todas as proteções antes de religar |
| 3h20–3h40 (20 min) | Situação anormal simulada | Com a máquina parada, o instrutor simula por aviso uma proteção danificada e uma peça presa. O trabalhador para, não opera, bloqueia, sinaliza e comunica; diz o que faria num acidente: parar a máquina, acionar o socorro da empresa, não mexer na vítima presa sem segurança, seguir a brigada | Reage na ordem certa; não resolve rapidinho; comunica |
| 3h40–3h50 (10 min) | Permissão de trabalho, quando aplicável | Lê uma permissão real da empresa, identifica os campos (serviço, riscos, medidas, bloqueios, responsáveis, validade, encerramento) e diz quando ela perde a validade. Se não se aplica, revisa a ordem de serviço | Reconhece quando é preciso permissão e não começa sem ela |
| 3h50–4h00 (10 min) | Encerramento | Recebe a devolutiva; acompanha a devolução da máquina à condição normal; confere e assina a ficha | Ficha completa, com horário real, assinada pelos dois |
Eliminatória é a conduta que, fora da prática, causa acidente grave. Quando acontece, o instrutor interrompe na hora, encerra a prática daquele trabalhador e marca o resultado como não apto.
Atendeu só quando o trabalhador executou sozinho e corretamente. Não atendeu vem com uma linha dizendo o que aconteceu. Não se aplica só vale para item que depende da máquina (dispositivo que ela não tem, serviço sem permissão), com justificativa; bloqueio, energia zero e alimentação nunca são não se aplica; a parada de emergência só é não se aplica quando a própria NR-12 dispensa aquela máquina de tê-la, com a justificativa escrita pelo profissional legalmente habilitado. Erro de preenchimento é riscado com um traço, corrigido ao lado e rubricado pelos dois.
A ficha é digitalizada ou fotografada inteira e legível e enviada pela plataforma, no painel da empresa. A conferência verifica dados, carga, itens e assinaturas; ficha ilegível ou incompleta volta para correção. A etapa só conta depois da conferência. O original fica na empresa, à disposição da fiscalização.
Se o resultado for não apto, a ficha é enviada do mesmo jeito, para manter o histórico, e o trabalhador não opera a máquina. Ele revisa o módulo ligado à falha — zonas de perigo no Módulo 2; proteções e parada de emergência no 3; proteção danificada e permissão no 4; bloqueio, limpeza e ajuste no 5; operação e situação anormal no 6 — e refaz a etapa prática inteira, com nova ficha.
A etapa prática vale para a máquina ou o tipo de máquina em que foi feita. Os 6 módulos não se repetem para cada máquina; a prática, sim. Máquina diferente pede nova etapa prática, com nova ficha.
Mesmo tipo é mesma função, mesmos perigos, mesmas proteções, mesmos comandos e mesmo procedimento de bloqueio — e quem decide é o profissional legalmente habilitado. Mudou o comando, o dispositivo de proteção, as fontes de energia ou o procedimento, é outro tipo.
A capacitação vale para o empregador que a realizou (NR-12, subitem 12.16.6): quem muda de empresa leva os certificados como histórico, mas a nova empresa faz a própria prática na máquina dela. A NR-12 também determina nova capacitação quando mudanças na máquina, no método ou na organização do trabalho trazem novos riscos.
Injetoras: a NR-12, no subitem 12.16.11, fixa mínimo de 8 horas por tipo de máquina. A empresa e o profissional legalmente habilitado planejam a capacitação de injetoras cumprindo esse mínimo por tipo de máquina e registram a carga real na ficha. A NR-12 tem anexos específicos para alguns tipos de máquina (prensas, injetoras, motosserras, máquinas agrícolas, entre outros); nesses casos o profissional legalmente habilitado acrescenta os pontos que o anexo exige.