NR 35 – Formação em Trabalho em Altura | Turma presencial – roteiro do instrutor e da empresa aplicadora
Roteiro da turma presencial – Capacitação em Trabalho em Altura (NR-35), 8 horas
Este roteiro é o conteúdo da aula presencial desta formação. Ele existe para
que qualquer empresa ou instrutor credenciado aplique a mesma capacitação, com o mesmo programa,
os mesmos exercícios e os mesmos critérios — e para que o aluno saiba exatamente o que vai
acontecer na turma. A plataforma registra a turma, emite a lista de presença, confere as
assinaturas e emite os certificados a partir deste roteiro.
Base legal. A NR-35 exige capacitação teórica e prática, com
carga mínima de 8 horas, para todo trabalhador que vai realizar trabalho em
altura, com o conteúdo programático do item 35.4.2.1 — e, desde a Portaria MTE nº 1.259/2026
(item 35.4.5), na modalidade presencial. Os cursos a distância desta formação
são estudo prévio (aperfeiçoamento) e não contam como hora de treinamento: as
8 horas acontecem inteiras na turma. O treinamento é ministrado por instrutor com proficiência
no assunto, sob a responsabilidade de profissional qualificado em segurança do trabalho.
1. Antes da turma: o que a empresa aplicadora garante
| Item | Requisito |
| Instrutor | Proficiência comprovada em trabalho em altura (formação e experiência), capacitação em resgate e primeiros socorros. Nome, função e registro constam da turma e da lista de presença. |
| Responsável técnico | Profissional qualificado em segurança do trabalho responde pela turma. O responsável técnico da formação consta do certificado. |
| Turma | Máximo recomendado de 12 participantes por instrutor na parte prática (1 instrutor para cada 6 na estação de resgate). Turma aberta na plataforma com data, local e participantes matriculados na formação. |
| Participante | Cursos a distância da formação concluídos (recomendado); aptidão médica para trabalho em altura apresentada antes da parte prática — sem aptidão, participa da teoria e não sobe. |
| Local | Sala para teoria; área prática com estrutura de treinamento (pórtico, torre, andaime ou estrutura equivalente) com pontos de ancoragem certificados a pelo menos 3 m, linha de vida vertical e horizontal instaláveis, área isolada, piso firme, e um ponto seguro para a simulação de resgate a altura baixa (1,5 a 3 m). |
| Equipamentos (1 conjunto para cada 2 participantes, no mínimo) |
Cinturão tipo paraquedista (NBR 15835) em tamanhos variados; talabarte duplo com absorvedor (NBR 15834); talabarte de posicionamento; trava-quedas deslizante em linha flexível (NBR 14626) com corda; trava-quedas retrátil (NBR 14628); conectores com trava; estribo de alívio; capacete com jugular; kit de resgate com descensor, polia e corda; dispositivos de ancoragem (NBR 16325); fita de isolamento e sinalização; manequim ou voluntário instruído para o resgate; kit de primeiros socorros; conjunto reprovado (fitas cortadas, absorvedor aberto, mosquetão sem trava) para a estação de inspeção. |
| Documentos | Lista de presença emitida pela plataforma (com o código da turma); este roteiro; formulário de análise de risco e permissão de trabalho em branco; avaliação teórica; fichas de avaliação prática por participante; um caso de acidente real (da empresa ou da aula 4) para a discussão. |
2. Programa das 8 horas
Os horários são referência para um dia único (8h às 17h com 1 h de almoço). A turma pode ser
dividida em dois períodos de 4 h em dias consecutivos, mantendo a sequência. Os blocos práticos
somam 4 horas; os teóricos, 4 horas — a norma exige as duas partes.
08h00 – 08h30 Abertura e registro (30 min)
- Assinatura da lista de presença ao lado do próprio nome; conferência de documento com foto.
- Apresentação do instrutor, do responsável técnico, do programa e dos critérios de aprovação.
- Coleta das aptidões médicas; quem não apresentar fica registrado como "teoria apenas".
- Regras da área prática: EPI o dia todo, ninguém sobe sem instrutor ao lado, sem celular na estrutura.
08h30 – 09h30 Teoria 1 — Normas, responsabilidades, análise de risco e condições impeditivas (60 min)
- Conteúdo programático a e b da NR-35: o que é trabalho em altura; deveres do empregador e do trabalhador; direito de recusa; capacitado, apto, autorizado; treinamento periódico e eventual; normas técnicas.
- Análise de risco e seus itens mínimos; permissão de trabalho; condições impeditivas.
- Exercício em duplas (15 min): preencher a análise de risco e a PT de uma tarefa real da empresa (ou da estrutura de treinamento), com a lista de condições impeditivas. O instrutor corrige em voz alta.
- Apoio: cursos a distância Módulo 1 (aulas 1 e 2).
09h30 – 10h30 Teoria 2 — Riscos, medidas de prevenção e acidentes típicos (60 min)
- Conteúdo c e f: mecanismos de queda; queda de materiais; agravantes; hierarquia das medidas; restrição × retenção; zona livre de queda; fator de queda; efeito pêndulo.
- Cálculo guiado (10 min): zona livre de queda para o talabarte da turma, com ancoragem nos pés e acima da cabeça — cada participante faz a conta.
- Discussão de caso (20 min): um acidente real, com as três perguntas (mecanismo; barreiras e furos; o que muda amanhã). Registrar as conclusões.
- Apoio: Módulo 2 (aulas 3 e 4).
10h30 – 10h45 Intervalo
10h45 – 12h00 Teoria 3 — Proteção coletiva e individual contra quedas (75 min)
- Conteúdo d e e: guarda-corpo (três peças), aberturas, redes, andaime completo, PEMT, linha de vida coletiva, isolamento.
- Sistema individual: ancoragem, elemento de ligação, cinturão; restrição, retenção, posicionamento; talabarte com absorvedor e em Y; trava-quedas (sentido!); conectores; o que serve e o que não serve como ancoragem.
- Estação de inspeção (30 min), com os equipamentos na mesa: cada dupla inspeciona um conjunto bom e um conjunto reprovado e diz, item a item, o que reprova. Ficha de inspeção de seis itens preenchida por participante.
- Apoio: Módulo 3 (aulas 5 e 6).
12h00 – 13h00 Almoço
13h00 – 14h30 Prática 1 — Cinturão, conexão e deslocamento (90 min)
- Colocação e ajuste do cinturão tipo paraquedista: cada participante veste, ajusta (fitas das pernas, peito, argola dorsal entre as escápulas), e um colega confere — buddy check obrigatório e treinado.
- Conexão a ponto de ancoragem com talabarte duplo: subir na estrutura mantendo sempre uma perna conectada; conectar no eixo maior do mosquetão; estacionar a perna livre.
- Linha de vida vertical com trava-quedas deslizante: conferir o sentido, testar o travamento com o puxão, subir e descer.
- Trava-quedas retrátil ancorado acima: deslocamento horizontal dentro do ângulo permitido; demonstração do travamento.
- Restrição de movimentação: ajustar o talabarte para que o participante não alcance a borda da plataforma; comparar com a retenção.
- Talabarte de posicionamento em poste ou estrutura: mãos livres, com a retenção mantida.
- O instrutor registra na ficha de cada participante: veste e ajusta corretamente; mantém-se sempre conectado; usa o trava-quedas no sentido certo; identifica ancoragem adequada.
14h30 – 15h30 Prática 2 — Proteção coletiva, isolamento e permissão no local (60 min)
- Na estrutura ou no andaime de treinamento: conferência do andaime pelos seis itens (base, estrutura, piso, guarda-corpo, acesso, liberação); identificar as três peças do guarda-corpo; medir com trena.
- Isolamento e sinalização da área de projeção de queda de materiais; amarração de ferramenta ao cinturão.
- Permissão de trabalho no local: a dupla emite a PT da subida que vai fazer, conferindo as condições impeditivas na hora (clima, equipamento, pessoa, organização). O instrutor introduz uma condição impeditiva simulada (equipamento reprovado, "vento") e a dupla precisa suspender.
15h30 – 15h45 Intervalo
15h45 – 16h45 Prática 3 — Emergência, resgate e primeiros socorros (60 min)
- Conteúdo g: trauma de suspensão demonstrado — participante suspenso por poucos segundos a altura baixa, com estribo de alívio, para sentir a compressão e usar o estribo (sob controle direto do instrutor, com piso protegido).
- Simulação de resgate de vítima suspensa (manequim ou voluntário a 1,5–3 m): plano em 1 minuto (quem, com o quê, como), descida com descensor pela equipe, vítima ao solo — cronometrado. Cada grupo executa uma vez; os demais observam e criticam.
- Primeiros socorros no solo: avaliação (responde? respira?), chamada de socorro, compressões torácicas no manequim (100–120/min, 5–6 cm), posicionamento da vítima resgatada, o que não fazer com fratura e coluna. Integra o curso de Primeiros Socorros desta formação.
- Comunicação: quem aciona quem; os números e a referência do local; o plano de emergência da empresa.
16h45 – 17h00 Avaliação, encerramento e registro (15 min + avaliação teórica de 20 min distribuída)
- Avaliação teórica (10 questões, aplicada ao fim da teoria, antes do almoço, 20 min): aprovação com 70%.
- Avaliação prática: ficha por participante preenchida durante as práticas — os itens críticos abaixo são eliminatórios.
- Devolutiva individual; registro dos aprovados; assinatura de saída na lista de presença.
- Envio da lista assinada pela plataforma; conferência; emissão dos certificados.
3. Critérios de aprovação
| Item avaliado | Critério | Eliminatório? |
| Presença | 8 horas completas, com assinatura de entrada e saída | Sim |
| Avaliação teórica | Mínimo 70% de acerto | Sim (uma nova tentativa no mesmo dia) |
| Cinturão | Veste e ajusta corretamente; aceita e faz o buddy check | Sim |
| Conexão | Nunca fica desconectado durante o deslocamento; conector no eixo maior, trava fechada | Sim |
| Trava-quedas | Sentido correto e teste de travamento antes do uso | Sim |
| Ancoragem | Identifica ponto adequado; recusa improviso | Sim |
| Inspeção | Reprova corretamente o conjunto defeituoso | Sim |
| Análise de risco / PT | Preenche com os itens mínimos; suspende diante de condição impeditiva | Não (registra observação) |
| Resgate e socorros | Participa da simulação; executa compressões com técnica | Não (registra observação) |
Participante reprovado em item eliminatório repete a prática no mesmo dia, se houver tempo,
ou em nova turma. Não se emite certificado "com ressalva".
4. Registros que a turma produz
- Lista de presença da plataforma, com o código da turma, assinada na entrada e na saída por cada participante, pelo instrutor e pelo responsável técnico — enviada pela plataforma para conferência.
- Fichas de avaliação prática por participante, com os itens da tabela acima, assinadas pelo instrutor — arquivadas pela empresa aplicadora e disponíveis à fiscalização.
- Avaliações teóricas corrigidas.
- Análises de risco e PTs produzidas nos exercícios (evidência da parte prática de planejamento).
- Certificado emitido pela plataforma após a conferência: nome, CPF, conteúdo programático, carga horária de 8 horas presenciais, data, local, instrutor, responsável técnico com registro, código de validação.
5. Segurança da própria turma
- A estrutura de treinamento é inspecionada pelo instrutor antes da turma; pontos de ancoragem identificados e certificados.
- Ninguém sobe sem instrutor ao lado e sem sistema conectado; altura das práticas limitada ao necessário (a maior parte a menos de 3 m).
- Suspensão para demonstração do trauma: segundos, com estribo, com piso protegido, com o instrutor controlando — nunca como "prova de resistência".
- O plano de emergência da turma está definido antes de ela começar: kit de resgate montado, socorro externo identificado, comunicação testada.
- Condição impeditiva (chuva, vento, raio) suspende a parte prática — o roteiro se aplica ao próprio treinamento.
Checklist do instrutor — véspera da turma
- Turma aberta na plataforma; lista de presença impressa com o código.
- Aptidões médicas solicitadas aos participantes.
- Estrutura inspecionada; ancoragens identificadas; área isolada.
- Conjuntos de EPI conferidos e em número; conjunto reprovado separado e identificado.
- Kit de resgate montado e testado; manequim; kit de primeiros socorros.
- Formulários: análise de risco, PT, avaliação teórica, fichas práticas; caso para discussão.
- Plano de emergência da turma definido; comunicação testada.
Base: NR-35 — Trabalho em Altura (item 35.4.2 — capacitação, treinamento teórico e prático; item 35.4.2.1 — carga
horária mínima de 8 horas e conteúdo programático das alíneas "a" a "g"; item 35.4.3 — instrutores com
proficiência, sob responsabilidade de profissional qualificado ou legalmente habilitado em segurança no trabalho;
item 35.4.5 — modalidade presencial; item 35.7 — emergência e salvamento);
NR-01 (Anexo II — registro e certificação); NR-06; NR-18. Roteiro elaborado pela Cursos NRs
para aplicação por empresas e instrutores credenciados; em caso de divergência prevalece o
texto oficial da norma.